Entrevistar o John Dunning foi puro bareback. Se vender meia dúzia de livros pra meia dúzia de idiotas já deixa arrogante um escritor nacional, imagina um cara como o Johnny. Provavelmente, o encarregado de filtrar seus e-mails seria um sub do sub do sub do estagiário do trainee da substituta da agente do Dunning, em licença-maternidade. Qual não foi a surpresa quando sua esposa respondeu, e rápido. Dunning se recuperava de um tumor no cérebro, e ela estava responsável pelas coisas. Repassou as perguntas para o John, que ditou as respostas.
Seja.Sinta.Saiba.: Quanto mais a pessoa lê, mais sua vida anda um marasmo. Você concorda?
John Dunning: Não concordo. Nunca considerei a leitura perda de tempo, ou jamais teria feito dela meu ofício. Não acredito que literatura seja mero escapismo. Ela molda, relaxa, proporciona conhecimento de outras épocas, lugares etc.
SSS: Você deseja concluir mais um ou dois livros protagonizados por Cliff Janeway. Com seu DDA e enfermidades que o acometeram nos últimos anos, o que o faz continuar escrevendo?
JD: Um escritor jamais deixará de sê-lo. No momento, estou parado por conta da doença, mas passo o tempo todo pensando no próximo livro. Tudo ao meu redor é material para um romance.
SSS: Aqui, muita gente acredita que literatura “salva”, como uma religião. Você acredita nisso? E romances policiais, eles também podem “salvar”?
JD: Nunca ouvi falar disso, que livros podem “salvar”. Concordo que eles são mágicos e capazes de transformar a pessoa em alguém melhor. Se eles conseguirem te libertar dos problemas cotidianos, do caos no mundo etc., acabam por se tornar maravilhosos para o espírito.
SSS: Alguns afirmam que os videogames são criação do demônio. O bullying é creditado, dentre outras coisas, a jogos eletrônicos. O que aconteceria se crianças e jovens parassem com videogames e começassem a ler romances policiais por horas a fio? A sociedade incriminaria os livros e condenaria seus autores como corruptores de menores?
JD: Gente religiosa sempre arruma alguma sarna pra se coçar. O que realmente me preocupa é crianças e jovens não lerem absolutamente nada. A mim, tanto me importa o que leem, meus livros, os da Patrícia Cornwell ou do Dennis Lehane, pois, deles, sempre extrairão algo. Toda vez que abrirem um livro acrescentarão conhecimento àquele que possuem.
SSS: A morte é necessária na sua profissão. Como você, um escritor policial, enxerga a morte?
JD: É triste demais quando alguém morre antes do tempo. Quando você escreve e a morte chega para um de seus personagens, simplesmente aceita e segue em frente. Agora que encarei a morte de perto, eu a temo muito menos do que costumava temer. Gostaria de ter tido mais tempo para escrever, mas estou contente pelos meus doze livros publicados.
SSS: E, finalmente: Obama, McCain ou nenhum dos dois?
JD: Espero que seja o Obama, mas não me preocupo muito com isso. Qualquer um será uma grande melhora em relação ao Bush.
(Entrevista cedida em 17 de junho, por e-mail.)























— Eu gostaria de pirulitos no meu trailer. Muitos pirulitos. É possível, sr. Spielberg?










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